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Tensões, harmonias e paradoxos da felicidade instrumental

Abstract

Em março 2021 a tese chamada Felicidade Instrumental em Organizações Cooperativas Costarriquenhas: entre a gestão individualista e o sentido cooperativo66, ganhou vida na sua versão definitiva e foi defendida no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Produto de quatro anos de reflexão, parcerias e intercâmbios, com apoio da Oficina de Asuntos Internacionales y Cooperación Externa (OAICE) na Universidade da Costa Rica e sob a orientação do professor, Dr. Paulo Vaz. A tese constitui uma crítica à felicidade como entendida e praticada no trabalho. Essa que chamo de felicidade instrumental diz respeito de uma racionalidade (no sentido foucaultiano de termo), que coloca as pessoas (no âmbito laboral) ao serviço dos fins do mercado e da produtividade, da eficiência e da eficácia. Dita racionalidade abrange uma multiplicidade de processos econômicos, políticos, socioculturais e subjetivos envolvidos no seu desenho, mantenimento, promoção e naturalização A partir de uma perspectiva política que ambiciona a transformação social – seja no nível que for –, existe um interesse e uma pergunta sobre as possibilidades do campo da comunicação de contribuir com a reflexão crítica da felicidade contemporânea, da subjetividade neoliberal e das práticas organizacionais correlatas. A lógica desta felicidade analisou-se com a totalidade das pessoas trabalhadoras de quatro organizações cooperativas costarriquenhas dedicadas à produção de café. Além de discernir os obstáculos que dita lógica impõe ao trabalho cooperativo. Metodologicamente, trata-se de um estudo transversal, de desenho misto e alcance descritivocorrelacional que utilizou como técnica de coleta de dados o questionário (612) e as entrevistas semiestruturadas (8), procurando ao mesmo tempo obter um mapa da percepção de felicidade dos trabalhadores e informação qualitativa sobre os processos organizacionais e subjetivos, vinculados a dita emoção (vide o texto completo da metodologia no capítulo 4). Neste artigo, que desponta integralmente da tese, descrevo os resultados obtidos tanto no questionário quanto nas entrevistas para o primeiro objetivo específico, objetivo que procurou identificar os discursos e as práticas relacionadas com a felicidade instrumental presentes nas organizações cooperativas de café em estudo, assim como seus efeitos. Na minha construção teórico-metodológica a intensidade compreende esses três níveis: discursos, práticas e efeitos, existindo entre eles uma relação de profundidade. O discurso quer dizer simplesmente que a lógica da felicidade instrumental aparece, existe, é expressa. As práticas têm a ver com quanto esse discurso está regulamentando a vida corriqueira da pessoa no trabalho e da organização como um todo; ou seja, quanto o discurso converteu-se em ações (por isso analiso as práticas pessoais e as práticas organizacionais). Os efeitos deram conta do maior nível de penetração, das consequências desses discursos e práticas na saúde dos trabalhadores, especialmente na sua saúde emocional. Sendo uma tese de comunicação o cerne foi colocado no discurso, principiemos por ele. Este artigo apresenta exclusivamente o relativo aos dados obtidos para discurso.

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felicidade instrumental, produtividade, eficiência

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